quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Filosofia, Ciência, Lógica


-Através das matérias complexas como a Filosofia e a Ciência, o Homem pretende alcançar a verdade universal. Para que tal objectivo se concretize, precisa de usar a ferramenta essencial: a Lógica.
Comprovemos.

Para chegar à verdade universal, o Homem enquanto filósofo, filósofa, isto é, pensa, mais concretamente, usa uma diversidade de faculdades – raciocinar, avaliar, criticar, comprometer, abstrair de crenças, de preconceitos, de probabilidades, da própria imaginação, das suas estruturas subjectivas (o que implica que tantas vezes se autodestrua, reconstruindo-se seguidamente com novas ideias) – para que consiga traduzir uma determinada realidade, no mundo das ideias, e, evidentemente, transcreve-la para o exterior, pois como sabemos o pensamento é absolutamente indissociável do discurso.
Além do mais, o Homem deve discursar. O que quero dizer é que, vivendo o Homem inteiramente dependente do outro – e depende também das instituições – tem obrigação de contribuir para a sua felicidade, e uma forma de o fazer é respeitando-o. Tal respeito é demonstrado (por exemplo e com grande importância) através da transmissão dos seus conhecimentos, isto é, tanto simplesmente partilhando as nossas conclusões, como revelando a nossa insatisfação face às suas perspectivas, que tantas vezes achamos não se ajustarem à realidade. Desta forma, contribuímos para o crescimento e desenvolvimento da sua pessoa – e quando digo “pessoa”, refiro-me, humanistamente, ao sujeito que é livre, participativo, activo e espontâneo, e refiro-me, filosoficamente, ao sujeito que age de forma livre e voluntária – conduzindo-o ao caminho para a felicidade.
Esta atitude cooperativa, não é se não, um passo adiante para o sucesso do grande desafio e conflito da humanidade: a comunidade das antagónicas culturas, a união global.
É também de focar, que, ainda que o Homem exija de si o ciclo da constante aprendizagem, não poderá nunca alcançar o conhecimento máximo, por este ser infinito - o que nos leva ao redimir perante as informações disponíveis - e por termos de nos limitar às nossas estruturas subjectivas e cognitivas.
Falava eu do lado benéfico do diálogo, mas precisamos também de atentar para o seu lado prejudicial. Passo a explicar, no nosso dia-a-dia, somos constantemente “bombardeados” com informação que, certas vezes, não corresponde à realidade, e contudo aparece inserida num discurso válido – isto é, num discurso aceitável por ser lógico – a mentira, e também a ilusão. Temos o bom exemplo da publicidade politica – que retrata uma atitude politica que contradiz o seu próprio principio, pois o seu objectivo seria supostamente a organização, a união, e não o desequilíbrio alimentado pelos privilégios governativos. Ora, esta mentira/ ilusão, é capaz não só de nos influenciar, como também de manipular, pois o emissor da mensagem domina a persuasão. A persuasão define-se como o poder do convencimento, a capacidade de discursar validamente, através do emprego do argumento, que por sua vez se define como a materialização do raciocínio, que tem como base a premissa, e é esta que nos induz para uma nova proposição, isto é, a conclusão.
E é precisamente isto que a persuasão na filosofia pretende, induzir a condução de certas observações particulares para enunciados universais, neste caso então, a sua intenção não é benéfica maliciosamente.
Mas, apartando-nos deste último ponto, focando a questão da mentira e ilusão, temos factuado que a linguagem é ambígua, equivoca. E não só quando se trata de persuadir, mas também porque o dialecto comum não é rigoroso (no entanto temos vindo a desenvolve-lo de época para época).
Dito isto, concordamos que devemos censurar Aristóteles, quando este creu que o conjunto de sinais ou símbolos a que atribuímos o nome de discurso, se assemelhava às ideias, a matéria-prima do pensar.
Congeminando agora acerca da atitude do Homem enquanto cientista, buscando a verdade universal.
Diz-nos Karl Popper que, é sempre possível discutir os pressupostos da Ciência nos quadros da racionalidade. Enquanto que na filosofia falamos de indução – o raciocínio que tira uma conclusão a partir de afirmações de factos observados, ampliando os nossos conhecimentos ( e eu chamar-lhe ia persuasão) – na Ciência falamos de conjectura - o que Popper que dizer é que, uma teoria é tanto mais forte em termos científicos quanto maior for a sua capacidade de resistir às tentativas de a falsificar.
Tal como vemos acontecer na complexidade Filosófica, diz-nos Thomas Kuhn que a Ciência de desenvolve dentro dos limites institucionais, sociais e cognitivos que são impostos ao cientista, pela comunidade cientifica em que trabalha.
Relacionando estas ideias, podemos dizer que o Mundo que nos rodeia é o laboratório do filósofo.
Concluindo, para que no nosso quotidiano sejamos capazes de distinguir a mentira da verdade, para que o sentido da nossa vida não se cinja a uma realidade ilusória, para que alcancemos a verdade universal da Filosofia e da Ciência, precisamos da Lógica.
A Lógica, define-se como a Ciência que estuda o próprio pensamento e, em simultâneo, é o seu essencial instrumento.
Não esquecendo que o pensamento é indissociável do discurso, podemos dizer que a lógica funciona como a matemática do pensamento e a gramática da verbalização, e ainda, compreendemos que assim como devemos pensar de uma forma lógico-formal – conjunto de métodos e regras do pensamento – devemos também discursar de forma rigorosa, coerente, clara (quanto à significância), fundamentada e consistente.Empregando a Lógica, desenvolvemos a técnica que nos permite avaliar correctamente tanto os nossos próprios argumentos como os argumentos dos outros, por muito complexos que eles se aparentem, demonstraremos a razão das nossas opiniões, pois saberemos fundamentá-las e aumentaremos a velocidade e eficácia do raciocínio, e ainda, seremos capazes de “Criticar as falhas inevitáveis dos raciocínios dos sábios ou dos outros seres humanos, falhas imputáveis seja à distracção, seja à fadiga ou à paixão, seja à subtileza do raciocínio que ultrapassa as capacidades intelectuais do individuo.” Maurice Gex


trabalho elaborado no âmbito da disciplina de filosofia.

Um comentário:

Sermões Silenciosos disse...

Ahahahaha...Bem me parecia que isto trazia água...Perdão, filosofia na boca.
Gostei sobretudo de «ainda que o Homem exija de si o ciclo da constante aprendizagem, não poderá nunca alcançar o conhecimento máximo, por este ser infinito - o que nos leva ao redimir perante as informações disponíveis. »