
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
(...)
O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias(...)
Que mau humor!
(...)
Cesário Verde
. Sim. Todos temos dia-sim e dia-não.
Inconstância perturbadora.
Num dia desejamos o afecto e no outro amamos o desprezo.
Num dia somos felicidade radiante e no outro angústia, fúria, a simplicidade do estúpido mau humor. Ou mesmo a intrigante apatia.
E a propósito de nada... As pessoas não têem de fingir sentimentos, dissimular o (não) valor que as outras têem para si. Da mesma forma que não teem de conter/ocultar as vontades: a inocente vontade de querer estar por perto e próximo, a perversa vontade, a vontade que é o sentimento.
Espontaneidade! Espelho!
A nossa forma de agir deveria espelhar o sentir.
E viva o impulso. "Que se f*da a intelectualidade, que nós queremos é paixão."
Lanço-me impulsivamente, entrego-me toda. Sempre. Todas as vezes. Todos os dias. A toda a gente. Iludo-me. Envolvo-me. Sinto sempre que preciso de todos. E que todos precisam de mim. E quando me fecham uma porta, sinto que se fecharam todas, julgo que não existiu nunca alguma. Afinal, todo este tempo foi uma mentira. Não existe o mundo inteiro de mãos dadas. Nós de mãos dadas... a felicidade... tudo isso não passa de uma sensação efémere. Obrigado por, às vezes, agirem como se se preocupassem realmente. Obrigada por essa ténue mentira perfeita. Contudo, porque continuo eu a acreditar no amor...? E a rotular a espontaneidade e o improviso de "ideais"? Porra! Confusão.

Um comentário:
"Que se f*da a intelectualidade, que nós queremos é paixão."
amei!!!...
"porque continuo eu a acreditar no amor...?" - porque vale a pena partilhar o amor, mesmo que quem o receba nao saiba abrir as mão para agarrar...
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