segunda-feira, 15 de outubro de 2007

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Yerka Jacek




Esculpo a máscara, que nos meus sonhos é o rosto do amor-perfeito, com o mármore dos teus ossos.
Embalsamaria os nossos corpos, em ligaduras de linho e bálsamo suave, para mumificar o sentimento. E o nosso sarcófago seria caixinha de magia e segredos, pausando na terra dos sonhos.
Agora as asas do tempo já não bateriam mais, não levantariam a poeira que traz a velhice, a exaustão do afecto.
Seriamos almas vagabundas, dançando a cintura nos arcos do amargurado Saturno.
Murmurariamos sopros de fogo, que nos saltariam de boca para boca.
Trajados de nudez e tinta, rebolariamos por uma pauta musical fora. Traçando-lhe oscilações melodiosas, desenhariamos uma ópera romântica que é carta de amor.

A falua que perfura o mar de nuvens do meu relutante imaginário, tem um leme, feito das lascas de madeira da tal caixinha de segredos. Essas lascas são como fósforos que acendem ao fogo da minha boca. Onde está o meu homem do leme, aquele que acende cigarros com fósforos e que fuma dos meus segredos?

Um comentário:

Sermões Silenciosos disse...

Gosto muito.
«Onde está o meu homem do leme, aquele que acende cigarros com fósforos e que fuma dos meus segredos?»