sábado, 20 de outubro de 2007

Contrariedades


Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

(...)

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias(...)

Que mau humor!
(...)
Cesário Verde
. Sim. Todos temos dia-sim e dia-não.
Inconstância perturbadora.
Num dia desejamos o afecto e no outro amamos o desprezo.
Num dia somos felicidade radiante e no outro angústia, fúria, a simplicidade do estúpido mau humor. Ou mesmo a intrigante apatia.
E a propósito de nada... As pessoas não têem de fingir sentimentos, dissimular o (não) valor que as outras têem para si. Da mesma forma que não teem de conter/ocultar as vontades: a inocente vontade de querer estar por perto e próximo, a perversa vontade, a vontade que é o sentimento.
Espontaneidade! Espelho!
A nossa forma de agir deveria espelhar o sentir.
E viva o impulso. "Que se f*da a intelectualidade, que nós queremos é paixão."
Lanço-me impulsivamente, entrego-me toda. Sempre. Todas as vezes. Todos os dias. A toda a gente. Iludo-me. Envolvo-me. Sinto sempre que preciso de todos. E que todos precisam de mim. E quando me fecham uma porta, sinto que se fecharam todas, julgo que não existiu nunca alguma. Afinal, todo este tempo foi uma mentira. Não existe o mundo inteiro de mãos dadas. Nós de mãos dadas... a felicidade... tudo isso não passa de uma sensação efémere. Obrigado por, às vezes, agirem como se se preocupassem realmente. Obrigada por essa ténue mentira perfeita. Contudo, porque continuo eu a acreditar no amor...? E a rotular a espontaneidade e o improviso de "ideais"? Porra! Confusão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

...


Yerka Jacek




Esculpo a máscara, que nos meus sonhos é o rosto do amor-perfeito, com o mármore dos teus ossos.
Embalsamaria os nossos corpos, em ligaduras de linho e bálsamo suave, para mumificar o sentimento. E o nosso sarcófago seria caixinha de magia e segredos, pausando na terra dos sonhos.
Agora as asas do tempo já não bateriam mais, não levantariam a poeira que traz a velhice, a exaustão do afecto.
Seriamos almas vagabundas, dançando a cintura nos arcos do amargurado Saturno.
Murmurariamos sopros de fogo, que nos saltariam de boca para boca.
Trajados de nudez e tinta, rebolariamos por uma pauta musical fora. Traçando-lhe oscilações melodiosas, desenhariamos uma ópera romântica que é carta de amor.

A falua que perfura o mar de nuvens do meu relutante imaginário, tem um leme, feito das lascas de madeira da tal caixinha de segredos. Essas lascas são como fósforos que acendem ao fogo da minha boca. Onde está o meu homem do leme, aquele que acende cigarros com fósforos e que fuma dos meus segredos?

Escrita automática


Joan Miró

“E é assim que me sinto. Engaiolada numa envidraçada bola de sabão. Olho o céu em cinza e as nuvens não passam de giz. E as arestas das formas não são mais que um traço a carvão. A cor do dia limita-se à aguarela tingida no papel que tudo é.
Diria que sinto os martelos das teclas agudas de um piano velho a baterem-me dentro do peito, que o canto me possui o corpo e eu lhe dou voz e fôlego para rebentar em fulgor de amor.
Sei de cor o odor do mar, a textura e as fissuras das pedras de outro universo, os mistérios e segredos desse sonho sobre que tu dormitaste em flagrante noite de pura ingenuidade.
Criança e convalescença, é o sabor da autoria desse sangue por ti pisado e por mim derramado. (...) esse éter do segredo embaciado.
Não sou mais que uma laranja sem fronte nem hoste.
Não sou mais que a vela de um barco em fuste.
- Adentro mar agreste sem leste!
Porque ele é marinheiro.
E cavalga comigo numa falua em nuvens de espuma.
Sopra pétalas brancas de lua flauta fora.
E reinamos num castelo de areia, rodeado de rosas de espuma, onde sou princesa de violeta em veludo.
Somos piratas clandestinos de pesadelos e agonias!
Duendes azuis cintilantes cobrem-nos de chuva doirada e pirilampos invisíveis!
E aqui estamos nós dois no mundo do cubo transparente. Onde o tempo é passado, presente e futuro a tempo inteiro.
E deixas cair migalhas de ouro, para que o sonhador do outro mundo nos encontre, enquanto persegue borboletas e inexistências com a rede que não trás ao ombro dia sim, dia não.
Porque a paz, é fenda ténue, é o fio de seda roxa que não te laça a mim. E isto para mim é ferida e é sangue, é dor e é lamento, é peso, agonia, cardume de incertezas que flúem neste oceano que é o sentimento.”

“Escuto sinais do canto Flausino que me sonhas… leio retratos de memorias que não aconteceram.”

“Fogueiras de recordações de onde saltam sorrisos e brinquedos. A depressão e angústia do abandono e (...).”

“Sou farrapo de teatro, que bailo numa caixa de música, encantada por sopranos de violinos.”

domingo, 14 de outubro de 2007

Publicidade Comercial

objecto publicitado: perfume "Amor-amor"

banda sonora: "Pretty Woman", Elvis Presley

interpretes: Nu e Nuno Miguel

câmara: Inês Luís

Técnico: Oleskiy Borsenko

( xD )

Cenário preto e branco e Música antiga -> passado + Slogan e logotipo colorido -> presente = o produto está sempre na moda

. os intérpretes são jovens, e de ambos os sexos, sendo o produto juvenil e unissexo.
. a sensação de tranquilidade que a natureza transmite, contrasta com o transtorno dramatizado pelos intérpretes, mas no final, os intérpretes estão felizes, em harmonia com a natureza, então, o produto é a solução para todos os problemas. Comprovamos que o seu aroma é fatal no momento em que os olhares das personagens frustradas se encontram.
. slogan: “Amor-amor, aroma sedutor,
paixão em furor.
As palavras-chave estão destacadas, assim sobressaímos a ideia de que o perfume Amor-amor tem para oferecer o poder da sedução e o furor. Além disto, a rima e o jogo de palavras entre “amor” e “aroma” atribui-lhe uma maior ênfase, ficando no ouvido.

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Filosofia, Ciência, Lógica


-Através das matérias complexas como a Filosofia e a Ciência, o Homem pretende alcançar a verdade universal. Para que tal objectivo se concretize, precisa de usar a ferramenta essencial: a Lógica.
Comprovemos.

Para chegar à verdade universal, o Homem enquanto filósofo, filósofa, isto é, pensa, mais concretamente, usa uma diversidade de faculdades – raciocinar, avaliar, criticar, comprometer, abstrair de crenças, de preconceitos, de probabilidades, da própria imaginação, das suas estruturas subjectivas (o que implica que tantas vezes se autodestrua, reconstruindo-se seguidamente com novas ideias) – para que consiga traduzir uma determinada realidade, no mundo das ideias, e, evidentemente, transcreve-la para o exterior, pois como sabemos o pensamento é absolutamente indissociável do discurso.
Além do mais, o Homem deve discursar. O que quero dizer é que, vivendo o Homem inteiramente dependente do outro – e depende também das instituições – tem obrigação de contribuir para a sua felicidade, e uma forma de o fazer é respeitando-o. Tal respeito é demonstrado (por exemplo e com grande importância) através da transmissão dos seus conhecimentos, isto é, tanto simplesmente partilhando as nossas conclusões, como revelando a nossa insatisfação face às suas perspectivas, que tantas vezes achamos não se ajustarem à realidade. Desta forma, contribuímos para o crescimento e desenvolvimento da sua pessoa – e quando digo “pessoa”, refiro-me, humanistamente, ao sujeito que é livre, participativo, activo e espontâneo, e refiro-me, filosoficamente, ao sujeito que age de forma livre e voluntária – conduzindo-o ao caminho para a felicidade.
Esta atitude cooperativa, não é se não, um passo adiante para o sucesso do grande desafio e conflito da humanidade: a comunidade das antagónicas culturas, a união global.
É também de focar, que, ainda que o Homem exija de si o ciclo da constante aprendizagem, não poderá nunca alcançar o conhecimento máximo, por este ser infinito - o que nos leva ao redimir perante as informações disponíveis - e por termos de nos limitar às nossas estruturas subjectivas e cognitivas.
Falava eu do lado benéfico do diálogo, mas precisamos também de atentar para o seu lado prejudicial. Passo a explicar, no nosso dia-a-dia, somos constantemente “bombardeados” com informação que, certas vezes, não corresponde à realidade, e contudo aparece inserida num discurso válido – isto é, num discurso aceitável por ser lógico – a mentira, e também a ilusão. Temos o bom exemplo da publicidade politica – que retrata uma atitude politica que contradiz o seu próprio principio, pois o seu objectivo seria supostamente a organização, a união, e não o desequilíbrio alimentado pelos privilégios governativos. Ora, esta mentira/ ilusão, é capaz não só de nos influenciar, como também de manipular, pois o emissor da mensagem domina a persuasão. A persuasão define-se como o poder do convencimento, a capacidade de discursar validamente, através do emprego do argumento, que por sua vez se define como a materialização do raciocínio, que tem como base a premissa, e é esta que nos induz para uma nova proposição, isto é, a conclusão.
E é precisamente isto que a persuasão na filosofia pretende, induzir a condução de certas observações particulares para enunciados universais, neste caso então, a sua intenção não é benéfica maliciosamente.
Mas, apartando-nos deste último ponto, focando a questão da mentira e ilusão, temos factuado que a linguagem é ambígua, equivoca. E não só quando se trata de persuadir, mas também porque o dialecto comum não é rigoroso (no entanto temos vindo a desenvolve-lo de época para época).
Dito isto, concordamos que devemos censurar Aristóteles, quando este creu que o conjunto de sinais ou símbolos a que atribuímos o nome de discurso, se assemelhava às ideias, a matéria-prima do pensar.
Congeminando agora acerca da atitude do Homem enquanto cientista, buscando a verdade universal.
Diz-nos Karl Popper que, é sempre possível discutir os pressupostos da Ciência nos quadros da racionalidade. Enquanto que na filosofia falamos de indução – o raciocínio que tira uma conclusão a partir de afirmações de factos observados, ampliando os nossos conhecimentos ( e eu chamar-lhe ia persuasão) – na Ciência falamos de conjectura - o que Popper que dizer é que, uma teoria é tanto mais forte em termos científicos quanto maior for a sua capacidade de resistir às tentativas de a falsificar.
Tal como vemos acontecer na complexidade Filosófica, diz-nos Thomas Kuhn que a Ciência de desenvolve dentro dos limites institucionais, sociais e cognitivos que são impostos ao cientista, pela comunidade cientifica em que trabalha.
Relacionando estas ideias, podemos dizer que o Mundo que nos rodeia é o laboratório do filósofo.
Concluindo, para que no nosso quotidiano sejamos capazes de distinguir a mentira da verdade, para que o sentido da nossa vida não se cinja a uma realidade ilusória, para que alcancemos a verdade universal da Filosofia e da Ciência, precisamos da Lógica.
A Lógica, define-se como a Ciência que estuda o próprio pensamento e, em simultâneo, é o seu essencial instrumento.
Não esquecendo que o pensamento é indissociável do discurso, podemos dizer que a lógica funciona como a matemática do pensamento e a gramática da verbalização, e ainda, compreendemos que assim como devemos pensar de uma forma lógico-formal – conjunto de métodos e regras do pensamento – devemos também discursar de forma rigorosa, coerente, clara (quanto à significância), fundamentada e consistente.Empregando a Lógica, desenvolvemos a técnica que nos permite avaliar correctamente tanto os nossos próprios argumentos como os argumentos dos outros, por muito complexos que eles se aparentem, demonstraremos a razão das nossas opiniões, pois saberemos fundamentá-las e aumentaremos a velocidade e eficácia do raciocínio, e ainda, seremos capazes de “Criticar as falhas inevitáveis dos raciocínios dos sábios ou dos outros seres humanos, falhas imputáveis seja à distracção, seja à fadiga ou à paixão, seja à subtileza do raciocínio que ultrapassa as capacidades intelectuais do individuo.” Maurice Gex


trabalho elaborado no âmbito da disciplina de filosofia.

domingo, 7 de outubro de 2007

Sinais


As luzes dançam nas águas profundas do rio.
E nós… nós somos “todo corpo”. Somos suor e lágrimas de arrepios. Saudade do próprio instante. Representamos o querer e declamamo-lo desenfreadamente.
Pintamos perfume de paixão, e somos canção de amor que agasalha os inocentes. Canção de fervor.
E as palavras libertam-se para retratar as agitações: o frenesi, o abalo.
Uma viagem à beleza do inconsciente.
(E tu és bárbaro porque me ignoras e voltas.)
Decoramos cada feição do instante e todo o constante é tão fugaz!
Calor das mãos com que travas jornadas pelo meu corpo fora. E eu solto mais suor e lágrimas de arrepios.
A única constância dos nossos passeios, dançados pela calçada da noite, é a loucura: o irracional e o excessivo.
Por isso todos os momentos são o infinito efémero. Porque saboreamos a cor de cada pedaço de tempo e decoramos cada face um do outro.
E no fim do encontro travamos guerras contra as vontades. Porque quando o encontro acaba, a cidade à volta ruína. Mas nós preferimos assim. Beber do silêncio, alcançar a máxima amargura: o desejar rasgar a pele, que sente suave afogo que já não toma.
Preferimos a distância do perfume do corpo um do outro. Fingir uma fúria de cansaço. Para que o fogo não se extinga nunca. Para que tudo seja sempre tão deslumbrante como no primeiro encontro. Para que a magia do primeiro olhar perdure sempre e sempre aspire labaredas azuis.
E eu não consisto em nada mais que tudo isto. Consisto em ti. Consisto na empatia e na intimidade. Consisto no sentimento que somos.
O dia madruga.
Quarto minguante, nosso berço, já não está.
Fumo um cigarro pensativo e sopro nuvens de ânsia e desafogo.
Ficam os sinais: os vestígios que marcam o sentido de noite, e os da tua pele.

sábado, 6 de outubro de 2007

The Barn - Paula Rego


A minha interpretação da pintura foca-se essencialmente na história das personagens centrais, lendo o restante como objecto de apoio/ alimento ao conflito principal.
Segundo a minha perspectiva, o sujeito artístico pretendia levar o leitor da ilustração à reflexão acerca da busca pelo conhecimento e da sexualidade/maternidade.
A protagonista é a menina do vestido branco, cujo objectivo era o alcance do conhecimento verdadeiro, um momento de epifania, a revelação total, a essência, o auto conhecimento, o amor-próprio.
Tal ideia fora-me sugerida pela presença do girassol e do narciso; passo a explicar, o girassol segue o sol, e o sol remete-me para a simbologia de “Iluminação/conhecimento”, enquanto que o narciso me imediata para a ideia do amor egocêntrico.
A menina do vestido branco, convicta do misticismo oriental, guiou-se pelas ideias esotéricas para alcançar o seu objectivo, movida pela iniciativa que o martelo sugere; o martelo, que representa o operariado urbano, sugere força, que sensacionalmente me inclina para a ideia de iniciativa.
Como sabemos, “O Kamasutra” é uma obra oriental, que além de ser um guia que nos conduz ao prazer, visa acima disso, elevar ao Homem espiritualmente.
Partindo deste princípio, a menina do vestido branco quis provar a “melancia” (sexualidade). Acreditava que desta forma subiria as escadas da ascensão alcançando o infinito céu e o sol, isto é, o infinito conhecimento.
O pequeníssimo Capuchinho Vermelho é mais uma das figuras que me serviu de argumento para fundamentar esta ficção.
Segundo o psicanalista Bruno Betellheinem, a história do CV traduz um episódio pelo qual todas as adolescentes passam: a ditadura do Princípio da Realidade versus o Princípio do Prazer.
As personagens intervenientes na teoria do Principio da Realidade são os pais das adolescentes, que na história do CV equivalem à sua mãe e avó. Exigindo a CV que siga pelo caminho mais seguro, representam a questão do zelar da virgindade das adolescentes por parte das suas famílias. Na teoria do Principio do Prazer, o prazer sexual é representado pela floresta e todos os seus encantos e o representante masculino que induz as adolescentes à vida sexual é o Lobo Mau.
Continuando a reflectir acerca dos objectos circundantes da acção principal, atentemos para os morcegos. Os morcegos funcionam como o representante antagónico do girassol, na ilustração parecem querer cobrir o céu e o sol, figurando os religiosos que, na antiguidade, proibiam o povo de chegar aos livros da igreja, ao conhecimento.
Desta forma, desempenham o papel de entrave na busca da menina do vestido branco. Tal como as meninas que a agridem. Passo a explicar, atentemos para o vestuário dessas meninas, uma delas traja um vestido com rosas, que eram, na Idade Média, atribuídas às virgens (e a Virgem Maria especialmente), assim podemos compreender que esta menina fosse cristã, e agredisse a menina do vestido branco, para a castigar por pecar: pecar, atrevendo-se a chegar ao conhecimento, e pecar o pecado carnal. Quanto à outra menina, reparemos que usa um vestuário simples e banal, talvez surja na ilustração apenas para se acrescentar à outra, representando uma maioria religiosa.
Em relação à vaca, esta consegue funcionar tanto como alimento para a questão do conhecimento como para a questão da sexualidade/maternidade.
Horus, que é um representante egípcio do conhecimento abstracto e concreto, era alimentado por uma deusa vaca. O rato, que mama da teta da vaca, é para os hindus um representante da sabedoria. Conclusão, temos a sabedoria a alimentar-se daquilo que a vaca representa. Filosoficamente, a sabedoria alimenta-se da curiosidade. Podemos então associar a vaca à curiosidade.
Lançando-lhe uma segunda visão, no hinduísmo é atribuído à vaca o título de “grande criadora mãe do mundo”.
Desta forma, a vaca tem um pouco da mesma função representativa da galinha, que é distinta pela protecção maternal dos seus ovos. E falando de ovos, na cultura egípcia temos uma maioria que acredita que o Deus Sol, pai do universo nasceu de uma flor de lótus, mas há também aqueles que acreditam que tenha nascido de um ovo.
Teria então, a menina do vestido branco, simplesmente assaltado o estaleiro, à procura do ovo que continha o grande mestre dos segredos do universo? Para que assim, chegasse ao tão ansiado conhecimento?
Além disto, “ovo e galinha” remete-nos de imediato para a questão: “ Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”, assim temos mais alimento para fundamentar a minha interpretação geral.
Perto da estante das galinhas está uma senhora, de costas voltadas, a servir-se dos ovos, ignorando o conflito entre as meninas. Compreendo daqui, que a senhora represente a parte da sociedade que é indiferente à disputa religiosa.
Voltando-nos agora para a palha, em certas zonas de África e também no Brasil, existem crentes em orixás, umas divindades inferiores a Deus, e essa sua crença compreende também a atribuição do significado “ascensão e imortalidade da alma” a um género especifico de palha.
Esta ideia inspira-me a conclusão da história da menina do vestido branco, fora agredida até à morte - o próprio facto de estar sobre um manto escuro soa-me a “aqui jaz” (negrume – funerais), e desta vez trajada de rosa claro, a cor do quartzo que transmite amor-próprio, a sua alma ergueu-se do corpo rumo ao céu e ao sol. A menina alcançou o seu ambicioso objectivo.