
Era uma vez uma jovem adolescente de 16 anos…
Solitária mas amiga de todos, tímida mas alegre, confusa quanto ao presente, mas ansiosa pelas certezas e por um glorioso futuro ordenado, quanto ao passado, era um mero ponto final.
Ora, 16 anos, idade para estar a explorar a vida e tudo o que ela lhe permita desfrutar: conhecer o mundo, conhecer pessoas, conhecer ideias. Conhecer…
O passo seguinte será fazer as escolhas dentro desse turbilhão de conhecimentos, seguidamente organizar um plano para encaixar as escolhas, e por fim agir.
Como muitas adolescentes, esta sentia uma espécie de síndrome do patinho feio: se não sou bela nem formosa naturalmente, se o meu senso e a minha disposição não atraem quem me agarre e deseje ou simplesmente faça companhia dedicada, sobra-me a intelectualidade. E é por aí que vou começar.
Se calhar, se estivesse envolvida num meio em que não existissem exemplos de intelectuais, optaria por se dedicar furtivamente à beleza, já que não a tinha naturalmente, ou mesmo à procura de “uma família” se alguma vez tivesse tido exemplos incentivadores, que lhe mostrassem que realmente é preenchedor.
Mas não. O que lhe parecia mais a mão fora o desenvolver da intelectualidade, fora a isso que se aplicara de forma entusiasta, de forma viciante tal como o conhecimento o é.
Um dia, mais tarde, olhou-se ao espelho, e sentiu-se bem consigo mesma, não se sentira envergonhada, já não precisava de se esconder na sua timidez, era livre por fim!
O ego sorridente levara-a a comunicar sem acanhamento, levando-a a sentir a sensação de acolhimento por parte das pessoas, e quando digo as pessoas sem nomeações concretas, é porque me refiro mesmo ÁS PESSOAS no geral, ao mundo inteiro que finalmente a aprovava. Agora tinha o título de PESSOA, e não apenas ser vivo, e tinha o título de HUMANA, porque os sentimentos de irmandade pertencem acentuadamente ao humano.
Entretanto, também o príncipe encantado por quem tanto esperava, chegara e lhe agarrara a mão. E assim todo a insatisfação quanto ao físico desvaneceu a pouco e pouco.
Agora olhava-se ao espelho, e sentia-se orgulhosa, sentia-se uma mulher rica: não era dotada nem nada de perto, mas sentia um intelectual comum que lhe agradava, tinha pessoas com quem partilhar sentimentos, o físico nunca lhe agradara de forma perfeita mas já não incomodava, tinha momentos de vaidade e tudo.
Mas o sentimento de insatisfação mais tarde ou mais cedo volta a bater-nos na cabeça:
- Sou feliz! E agora? Agora quero ser mais feliz, quero poder orgulhar-me de tudo em mim… e o que me falta? Dinheiro?
Não! A jovem vivia com uma moral do género: “ não tenho tudo aquilo que quero, mas estou-me pouco importando com os bens materiais”.
-O que falta?
Poderia ter pensado “falta viver, saborear a paz”, mas não! Pensou antes “ falta viver, conhecer tudo, experimentar tudo de bom e tudo de mau, para me sentir viva e crescida”.
Esquecendo completamente que a vida deve evoluir gradualmente em todas as questões, passou um ano a alimentar a questão do humanismo e da experiência, pondo de parte o primeiro ponto da parada num completo desleixe.
Viveu, viveu, viveu. Queria viver! Porque afinal, “a vida são dois dias”, “ quem muito dorme pouco aprende”, enfim, quem muito pensa, é pouco genuíno, não saboreia o momento tão profundamente quanto ele merece.
“Tão profundamente quanto ele merece”, isso é bem discutível, a capacidade de ser presente torna-nos harmónicos e consequentemente mais felizes, mas, se nos dedicarmos somente a tal, o que nos trará o futuro? Com certeza nada de idêntico a “um glorioso futuro ordenado”.
Não é justo censurar nenhum destes modos de vida: o que vive pró momento, o que vive pró futuro. A questão é que todos somos diferentes, o que poderia trazer a felicidade aquela jovem, poderia ser o oposto do que te traria a ti.
Concluindo, o que queria dizer era: como pode alguém ter ambição para projectos futuros, onde pensa encontrar a felicidade, e querer viver o momento? São ideias incompatíveis.
Alguém que vive apenas no presente, isso por si satisfá-lo de tal forma que o futuro perde o peso, e quando esse futuro chegar, lá vai ele estar novamente a desfrutar do presente, felizmente…
Opostamente, alguém que vive pensando que são objectivos capazes de se realizarem no futuro, que a podem realizar pessoalmente, precisa de lutar por eles no presente. Desprezando o momento? Não. Isso é a sua forma de viver o presente. Poderá não sentir tanta felicidade a rebentar-lhe as costuras mas no futuro colherá frutos que a compensarão.
Entre essas fases, a jovem que começara realmente a viver a vida, colocando o desenvolvimento da intelectualidade no topo, passou também por fases em que lá colocara a espiritualidade e a intuição, e até mesmo tentou realizar a ideia de ser quem era genuinamente, sem pensamentos, como uma criança, que é pura de ideias - o pateta universal, digamos assim.
Esta jovem adolescente caiu nesta armadilha da vida. Quis ter tudo, e como sabemos “ quem tudo quer tudo perde”.
Acidentes de percurso fora do seu poder também lhe roubaram as forças necessárias para conseguir criar um equilíbrio (não tentando desculpá-la, afinal, buracos
tem toda a estrada do mundo e não a dos pés dela).
Um dia, ela reencontrou o seu amigo espelho, fitou-o, e não se reconheceu. Sabia apenas que não era a mesma pessoa do início da parada, nem a mesma pessoa quase perfeita e feliz q se tivera sentido em outros tempos. Algo lhe dizia também que, se não era a mesma de antes, não era a mesma que os seus amigos acolheram, não era a mesma de quem eles gostaram.
E sim, realmente era mais ou menos assim, já não era amiga do mundo inteiro e vice-versa, mas os amigos verdadeiros estavam lá e não arredavam pé.
A vida lançou-lhe uma armadilha pelo caminho, uma armadilha que talvez quisesse por à prova se o seu conceito de felicidade era tão rijo que nada o mudasse. Uma armadilha, onde ela caiu.
Mas afinal, quem tem ideias rijas quando está a conhecer o mundo pela primeira vez?
No final, não acho que nada desta história seja verdadeiramente censurável, pois todo o fundo ideal da jovem era amadurecer, era conhecer, era provar. E digam lá, que não se sente tentado ao fruto do pecado?
Simplesmente há que haver equilíbrio.
Há que saber que não se pode ter o presente e o futuro.
Há que saber fazer escolhas. E para fazer escolhas, é preciso conhecer tudo (ou muito). O Homem Comum, aprende experimentando, o Homem Sábio aprende observando a experiência dos outros. Muitos escritores lançam palavras vividas, e o leitor aprende com elas.
Tudo bem, a jovem merece apenas o titulo de “Homem Comum”, mas agora que desdobrou algumas façanhas do mundo, faz as suas opções mais livre e certamente, ( o que acaba por ser relativo visto que estamos sempre a aprender!) e pode escrever um livro. Essa era uma das metas do tal “glorioso futuro ordenado”.
A jovem viverá um dia de cada vez, valorizando o presente, mas pensando sempre no futuro, e pela primeira vez, lembrando o passado, que não será mais um ponto final mas sim um (incompleto) livro de instruções!
Solitária mas amiga de todos, tímida mas alegre, confusa quanto ao presente, mas ansiosa pelas certezas e por um glorioso futuro ordenado, quanto ao passado, era um mero ponto final.
Ora, 16 anos, idade para estar a explorar a vida e tudo o que ela lhe permita desfrutar: conhecer o mundo, conhecer pessoas, conhecer ideias. Conhecer…
O passo seguinte será fazer as escolhas dentro desse turbilhão de conhecimentos, seguidamente organizar um plano para encaixar as escolhas, e por fim agir.
Como muitas adolescentes, esta sentia uma espécie de síndrome do patinho feio: se não sou bela nem formosa naturalmente, se o meu senso e a minha disposição não atraem quem me agarre e deseje ou simplesmente faça companhia dedicada, sobra-me a intelectualidade. E é por aí que vou começar.
Se calhar, se estivesse envolvida num meio em que não existissem exemplos de intelectuais, optaria por se dedicar furtivamente à beleza, já que não a tinha naturalmente, ou mesmo à procura de “uma família” se alguma vez tivesse tido exemplos incentivadores, que lhe mostrassem que realmente é preenchedor.
Mas não. O que lhe parecia mais a mão fora o desenvolver da intelectualidade, fora a isso que se aplicara de forma entusiasta, de forma viciante tal como o conhecimento o é.
Um dia, mais tarde, olhou-se ao espelho, e sentiu-se bem consigo mesma, não se sentira envergonhada, já não precisava de se esconder na sua timidez, era livre por fim!
O ego sorridente levara-a a comunicar sem acanhamento, levando-a a sentir a sensação de acolhimento por parte das pessoas, e quando digo as pessoas sem nomeações concretas, é porque me refiro mesmo ÁS PESSOAS no geral, ao mundo inteiro que finalmente a aprovava. Agora tinha o título de PESSOA, e não apenas ser vivo, e tinha o título de HUMANA, porque os sentimentos de irmandade pertencem acentuadamente ao humano.
Entretanto, também o príncipe encantado por quem tanto esperava, chegara e lhe agarrara a mão. E assim todo a insatisfação quanto ao físico desvaneceu a pouco e pouco.
Agora olhava-se ao espelho, e sentia-se orgulhosa, sentia-se uma mulher rica: não era dotada nem nada de perto, mas sentia um intelectual comum que lhe agradava, tinha pessoas com quem partilhar sentimentos, o físico nunca lhe agradara de forma perfeita mas já não incomodava, tinha momentos de vaidade e tudo.
Mas o sentimento de insatisfação mais tarde ou mais cedo volta a bater-nos na cabeça:
- Sou feliz! E agora? Agora quero ser mais feliz, quero poder orgulhar-me de tudo em mim… e o que me falta? Dinheiro?
Não! A jovem vivia com uma moral do género: “ não tenho tudo aquilo que quero, mas estou-me pouco importando com os bens materiais”.
-O que falta?
Poderia ter pensado “falta viver, saborear a paz”, mas não! Pensou antes “ falta viver, conhecer tudo, experimentar tudo de bom e tudo de mau, para me sentir viva e crescida”.
Esquecendo completamente que a vida deve evoluir gradualmente em todas as questões, passou um ano a alimentar a questão do humanismo e da experiência, pondo de parte o primeiro ponto da parada num completo desleixe.
Viveu, viveu, viveu. Queria viver! Porque afinal, “a vida são dois dias”, “ quem muito dorme pouco aprende”, enfim, quem muito pensa, é pouco genuíno, não saboreia o momento tão profundamente quanto ele merece.
“Tão profundamente quanto ele merece”, isso é bem discutível, a capacidade de ser presente torna-nos harmónicos e consequentemente mais felizes, mas, se nos dedicarmos somente a tal, o que nos trará o futuro? Com certeza nada de idêntico a “um glorioso futuro ordenado”.
Não é justo censurar nenhum destes modos de vida: o que vive pró momento, o que vive pró futuro. A questão é que todos somos diferentes, o que poderia trazer a felicidade aquela jovem, poderia ser o oposto do que te traria a ti.
Concluindo, o que queria dizer era: como pode alguém ter ambição para projectos futuros, onde pensa encontrar a felicidade, e querer viver o momento? São ideias incompatíveis.
Alguém que vive apenas no presente, isso por si satisfá-lo de tal forma que o futuro perde o peso, e quando esse futuro chegar, lá vai ele estar novamente a desfrutar do presente, felizmente…
Opostamente, alguém que vive pensando que são objectivos capazes de se realizarem no futuro, que a podem realizar pessoalmente, precisa de lutar por eles no presente. Desprezando o momento? Não. Isso é a sua forma de viver o presente. Poderá não sentir tanta felicidade a rebentar-lhe as costuras mas no futuro colherá frutos que a compensarão.
Entre essas fases, a jovem que começara realmente a viver a vida, colocando o desenvolvimento da intelectualidade no topo, passou também por fases em que lá colocara a espiritualidade e a intuição, e até mesmo tentou realizar a ideia de ser quem era genuinamente, sem pensamentos, como uma criança, que é pura de ideias - o pateta universal, digamos assim.
Esta jovem adolescente caiu nesta armadilha da vida. Quis ter tudo, e como sabemos “ quem tudo quer tudo perde”.
Acidentes de percurso fora do seu poder também lhe roubaram as forças necessárias para conseguir criar um equilíbrio (não tentando desculpá-la, afinal, buracos
tem toda a estrada do mundo e não a dos pés dela).
Um dia, ela reencontrou o seu amigo espelho, fitou-o, e não se reconheceu. Sabia apenas que não era a mesma pessoa do início da parada, nem a mesma pessoa quase perfeita e feliz q se tivera sentido em outros tempos. Algo lhe dizia também que, se não era a mesma de antes, não era a mesma que os seus amigos acolheram, não era a mesma de quem eles gostaram.
E sim, realmente era mais ou menos assim, já não era amiga do mundo inteiro e vice-versa, mas os amigos verdadeiros estavam lá e não arredavam pé.
A vida lançou-lhe uma armadilha pelo caminho, uma armadilha que talvez quisesse por à prova se o seu conceito de felicidade era tão rijo que nada o mudasse. Uma armadilha, onde ela caiu.
Mas afinal, quem tem ideias rijas quando está a conhecer o mundo pela primeira vez?
No final, não acho que nada desta história seja verdadeiramente censurável, pois todo o fundo ideal da jovem era amadurecer, era conhecer, era provar. E digam lá, que não se sente tentado ao fruto do pecado?
Simplesmente há que haver equilíbrio.
Há que saber que não se pode ter o presente e o futuro.
Há que saber fazer escolhas. E para fazer escolhas, é preciso conhecer tudo (ou muito). O Homem Comum, aprende experimentando, o Homem Sábio aprende observando a experiência dos outros. Muitos escritores lançam palavras vividas, e o leitor aprende com elas.
Tudo bem, a jovem merece apenas o titulo de “Homem Comum”, mas agora que desdobrou algumas façanhas do mundo, faz as suas opções mais livre e certamente, ( o que acaba por ser relativo visto que estamos sempre a aprender!) e pode escrever um livro. Essa era uma das metas do tal “glorioso futuro ordenado”.
A jovem viverá um dia de cada vez, valorizando o presente, mas pensando sempre no futuro, e pela primeira vez, lembrando o passado, que não será mais um ponto final mas sim um (incompleto) livro de instruções!

Um comentário:
Esta simplesmente lindo.
*-*
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