terça-feira, 10 de abril de 2007

"Açúcar amargo"

II

Fiéis pensamentos de traição…


-AH! Vida nova.
Levantei-me num salto, estiquei a persiana e corri para o banho.
Enchi a banheira de espuma e sais relaxantes, mergulhei-me e recordei uma série qualquer de tv em que alguém dizia: “o banho em conjunto aproxima as almas”, porque é que nunca experimentámos isso? Ou uma bebida de pétalas de rosa vermelhas, coisas desse género… Hum… talvez porque o julguei como adquirido.
Voltei a mergulhar a cabeça como que me castigando.
Não queria cismar no assunto, queria uma vida nova. Nem era uma questão de vontades, sabia as consequências que arcaria se não recomeçasse, afundar-me ia em ondas de dor e melancolia que me levariam a desaparecer.
“Toc-toc”, falou a porta.
-Sim?
-Adormeceste outra vez no banho?
Antes fosse um pesadelo, que acabasse ao acordar a nunca mais batesse à porta. Mas não, eram os meus fiéis pensamentos de traição… que me amargam os momentos românticos.
Mas por acaso há açúcar sem amargura?

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