sábado, 10 de março de 2007

"Revolução das bolas de sabão"


parte I


-É a revolução das bolas de sabão!
E sobre isto dissertava nobre e altivo sobre uma caixa de cartão.
Á medida que ritmava o discurso, estranhas criaturas aproximavam-se
Caminhavam de passo em calmo passo, pavoneando-se elegantemente, ao longo de extensos corredores que surgiam entre arbustos de cor magenta.
Ao fundo marchavam elefantes, desde um horizonte tão longínquo que pareciam tocar o pôr-do-sol de fogo.
As criaturas figuravam o corpo feminino, sob uma postura inata e serena, realçada pelo gestual característico. A pele manchada variava em tonalidades berrantes. Na face realçava o nariz de tão fino, os olhos, meramente luminosos, soltavam pozinhos ao pestanear. Os cabelos, levemente caídos sobre os ombros, pareciam banhados em ouro.
Algumas tinham chifres encaracolados, outras, longas caudas e outras, asas de libelinha. Intitulei-as de fadas.
Depois de uma demorada apreciação às criaturas, também o espaço despertou o meu interesse.
De tempo em tempo, ocorriam transformações mágicas, como o relvado florido tornar-se num manto de maçãs vermelhas, o horizonte natural distorcer para uma civilização moderna, o próprio espaço inverter o lugar do céu e da terra, uma verdadeira alienação.


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