parte II
Avivei-me de um sono fundo com a sensação de que dormira uma década. Espreguicei-me luxuriosamente, e, ainda de olhos fechados, reflecti acerca de um sonho mirabolante, típico de homem louco.
Devagarinho desuni as pálpebras e aí extasiei com o cenário.
Encontrava-me no interior de uma espécie de torre de madeira, composta por vários andares, que na verdade não eram pisos onde fosse possível existirem divisões. Cada andar tinha uma forma diferente, eu estava num largo círculo, o seguinte era um heptágono, o seguinte um hexágono, depois um pentágono, depois um losango, depois um triangulo e terminava também em numerosos círculos. Será que do lado de fora se parecia com um cone? Continuando, esses andares eram apenas corredores de escadas que circundavam a torre, não verdadeiros espaços! E, em cada andar havia apenas uma porta, mas não parecia haver espaço para lá das portas, isto, segundo a minha real noção de espaço, estética, arquitectura…
O rés-do-chão, apesar de ser amplo, tornava-se apertado por estar tão apinhado. Faziam parte da decoração antiguidades religiosas de diversas culturas, a maior estatueta era um Buda, velharias da moda feminina de diferentes épocas, utensílios pré-históricos, instrumentos musicais, telas de pintura, tinta e pincéis, fotografias de grandes filósofos, imensos baús cobertos com tapetes persas e numerosos livros. Parecia um canto de perdidos e achados.
Eu encontrava-me aconchegado numa cama que mais parecia um berço gigante, coberto com um véu amarelo-torrado.
Estava mais curioso que assustado, senti-me intrigado com esse facto, mas mais tarde teria tempo para reflectir acerca de tal. Deixei-me então guiar pela curiosidade e decidi explorar a zona.
Lancei-me para as escadas, e subi até ao losango, não continuei por estar demasiado zonzo. Aqui atrevi-me a abrir uma porta, tive de forçar a maçaneta que mais enferrujada não poderia estar. Depois de ouvir o “click” de porta aberta, que suou que nem um “abracadabra”, puxei-a lentamente alimentando o suspense que já me sufocava, pois do outro lado sentia uma forte pressão, como que um vendaval que impedia a abertura da porta.Não sei como descrever o que senti quando deparei com o compartimento do outro lado. Sei que senti o sangue a correr-me nas veias à velocidade da luz, um arrepio glacial percorreu-me a coluna e atingiu o cérebro vitoriosamente, o coração parecia querer castigar-me com tanto bater, fazendo com que sentisse electricidade nas pontas dos dedos, e por fim aterrei em paz.
sábado, 10 de março de 2007
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