domingo, 19 de junho de 2016

Orgasmo de Sol










Vivi em milhões de casas.
Procurei-te noutras pessoas.
Mergulhei nos mares do sexo sempre que quis.
(Desculpa.)
Estiveste sempre aí.
Contei estrelas no céu sem por quê.
Como se procurasse o teu olho verde a acender uma constelação.
E não te inclui no meu sonho. Não te sentei ao meu lado para contarmos estrelas, e histórias um ao outro.
Procurei o teu rosto camuflado em inúmeras paisagens.
-Em vão.
Perscrutei os sons da música 'Hey You" de Pink Floyd depositando em cada nota a esperança de ouvir o som do teu nome.
-Em vão.
"Open your heart... I'm comming home..."
Podes ajudar-me?
Tu. Tu que tens o rosto do impossível.
Controla os meus pensamentos.
E sê sempre inacessível.
O desafio que faz o meu coração agitar-se como o de uma leoa na savana alerta à presa e ao caçador,
é a fantasia do impossível na sua plenitude etérea e platónica.
Orgasmos espontâneos diante do rosto da indiferença ou de um sorriso contemplativo.
O meu corpo e a minha alma são um só.
Eu quero saber como!
Diz-me como!
Eu sou aquela que se apaixona tanto diante de um tiro como de um beijo.
Tanto da fé como do ódio.
Eu danço qual serpente sensual dos mares, com os dentes ensanguentados da caça pelos desertos secos e inférteis.
E no deserto da minha mente só encontro um cemitério de memórias.
Por isso fecho os olhos, amo o vento fresco que me despenteia os cabelos que batem no pescoço... e crio miragens...
Eu preciso de saber como te fazer amar-me outra vez.
E outra vez. Sem demora. De hora para hora.
Mais e mais. Sempre mais.
Sê o estalar da pele queimada pelo sol no meu ombro anguloso.
Meu orgasmo de sol.
Sê o frio que me trespassa os dentes quando mordo o cubo de gelo do gin tónico com morangos.
Estou à espera de algo. De alguém.
Observo a chuva. Olho para o céu de braços estendidos e boca aberta.
E penso que finalmente vamos olhar-nos olhos nos olhos. O teu olho cósmico verde aceso. Fixo no meu olhar de sonhadora imortal. Surpreende-me... surpreende-me...
Meu orgasmo de sol...
...na empatia do susto.
Hoje observei-te sem saberes, vi-te a espreitar as formas das nuvens empoleirado descuidadamente numa varanda, e senti que caía na tua vez. A empatia do susto da vertigem aglutina-nos.
Mas afinal tu fumavas um charuto escuro tranquilamente e a vida continuava.
A empatia do susto... na vertigem transposta... qual susto-trovão quando os nossos olhos se confrontarem e misturarem uns nos outros como uma fusão de sabores das almas...
Este ciclone de fogo ou uma gemada açucarada da cor do sol...

Nenhum comentário: