quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Amor-Aborígene


Todos os sóis e todas as luas se multiplicaram
- como se fossem reflexos de recortes de um abajour celeste, de papel amarelo e branco, de um candeeiro aceso no céu.
Uma lâmpada quente gigante beija-me a boca
 - AH! 
E no céu maximamente crescendo,
todas as estrelas mingam - pontinhos encolhidos como borbotos tímidos. Sem valor e sem-abrigo. Tais olhos apagados. Pratas roubadas. Orvalhos ludibriados latentes.
É a maior guerra das estrelas!, os cães do céu vão comer-me viva! Tais lobisomens da sedução.
Oh... Então o vale encantado é um destino válido: as instruções tatuadas nas folhas-de-estrela são mais que promessas reais. São paraísos palpáveis. São ilhas plantadas em cada impressão digital da tua mão aborígene.
Sou astronauta enquanto o céu for impossível. Sou canibal enquanto o amor for invisível.
E até lá, até lá sou absurda. Um transeunte num iglô aguardando o Verão. Fixo inerte o pó-de-estrela inválido que bronzeia as mãos pobres.
O chão estala-me debaixo do pés. Há foguetões no ventre da terra. E a direcção é o vácuo no meu coração. Um buraco negro no cosmos. Consome-me. Consome-me. Some-me.
ELAH...! - silêncio, por favor.