segunda-feira, 29 de agosto de 2016

#Bissexualidade & #Birromantismo

Reflexão acerca da profundidade do envolvimento com os sexos:
-O homem. Estimula-me todos sentidos. Com o seu toque na minha mão. Com o seu olhar imóvel e inflexível aprofundando-se no meu sem medo. Com o seu cheiro natural. Com o seu tom de voz, murmurando-me suavemente. Com as palavras escolhidas. ...é que... há alguma musicalidade entre o ritmo da sua sexualidade e o da sua linguagem verbal. O sexo como tradutor da palavra! ...e o seu gosto. ...quero dizer: o seu sabor. ...o seu gosto. ...Digo: o pormenor do tom aníl-cinza no forro interior dos bolsos do colete.
-Na mulher. Não procuro o olhar dela. Procuro o corpo. Não procuro o toque. Toco. Não procuro ouvi-la. Silencio-a. Com um beijo imprevisível. Escuto-a conversando com os outros. Apenas apreciando o timbre e a envolvência com que se desvela como numa dança. Contemplo. Livre dos furacões do ciúme. O gosto da sua boca... será do café da manhã misturado com o baton frutado e o mentol da pasta dentrífica habitual? É uma relação tão íntima como aquela que os meus lábios têm misteriosamente com o sumo doce de uma taça de morangos com natas... Humm...
Enquanto que na envolvência com o homem. A intimidade é o gosto do sabor da saliva. Que me diz se beijou alguém antes. Se tem o mesmo sabor de sempre. Se sabe a mim. Se serei a única mulher que beija. É territorial.
Na mulher encontro o êxtase total e fugaz, na sua sedução sublime por natureza.
E a ausência de realização do único desejo-impulso. Ser mãe. Do filho da paixão. Meus olhos, teus lábios. E que acordemos todos juntos, envoltos, friorentos, nos leitos da mesma casinha, perscrutando a geada Primaveril da madrugada nos vidros das janelas.
#MomentosFotográficos. Unidos pelo mesmo amor. Fusões abismais. Na aliança dos nossos corpos eróticos. Na gravidez como simbiose absoluta.
Houve alguma mulher que me tivesse tirado o sono? E não apenas "horas de sono"? Com quem eu pensasse viver uma vida dentro da mesma casa e ter a certeza de que nunca me cansaria do seu corpo? Não me lembro de nenhuma. Mas lembro-me de já não me lembrar de quantos cheiros teus eu desejei ter nos meus lençóis. Quantas vezes eu visualizei as silhuetas de um par de copos de vinho na mesa. Imaginei, as noites em que chegasse a casa e nem a luz acendesse de tanto cansaço. E só existisse o teu copo e o meu. E o teu corpo e o meu. E diante das luzes apagadas e o silêncio total na sala da entrada, eu desiludida por teres ido dormir desistindo de me esperar, me dirigisse brusca e conformada para o quarto, e precisamente quando fosse atravessar a porta para o corredor dos quartos, acendesses um fósforo para dar lume a uma vela, aproximasses a boca de um cigarro ao pavio ardente, com os teus lábios sensuais, alumiando a sala de luzes e fumos, transformando-a na ilusão de uma tenda indiana de incensos de ópio, que nos ateiam fogo à pele quente e vaporosa de excitação.  Afinal esperavas-me e diante da minha expressão feliz, tímida de tão surpresa, enchias de vinho os copos enquanto eu descalçava as sabrinas rosa-pérola.
És a minha liberdade. Quando pensei desde sempre que a única liberdade real fosse a independência. Liberdade é a expressão e realização da paixão.