O impossível,
sentir uma multidão de estrelas submergirem-me do corpo,
evaporarem-se como suor de luz de cada poro da pele que veste o meu corpo,
qual constelação arquitectada intuitivamente...
-Como uma melodia assobiada por um surdo...
As estrelas esticam os seus braços de fogo,
braços que se estendem como na entrega de um abraço total,
Raios eléctricos,
multicoloridos como luminescentes asas de borboleta,
e as suas cores confundem-se, difundem-se
-Como um arco-íris de fogo que irradia os céus de todos endeusado numa espécie de fé comum
E as borboletas cósmicas transfiguram suas asas luminescentes
para pétalas de flores-relâmpago,
amores-perfeitos tão frágeis e vivos de onde germinam crianças...
O real acto de transformação é em silenciosa fotossíntese das almas.
O impossível,
semicerrar os olhos como quem beija,
enternecer-me, comover-me, encolhida e abraçada pelos meus próprios braços,
impressionada com a implosão que gera impulso e morre em si mesma logo de seguida instantaneamente,
Acolho a loucura (na alma) como quem acolhe um animal abandonado (em casa)
É incrível como o impossível cresce sem semente nem raíz que o sustente
e cria a ostentação de uma SuperNova!
Flutuo, danço, liberto-me, espontânea, genuína e amante
da vertigem da beira do abismo.
O meu corpo vacila entre os beijos de luz
irradiados pelo incêndio da SuperNova
Evocando a dança interior de uma índia
Índia, caçadora, céptica,
que em segredo, silencioso ritual
beija os Deuses dos Oceanos, dos Horizontes, no Núcleo das Chamas...
Da Essência da Cor ou
dos intervalos mudos, os segundos de Silêncio na Canção.
E na entrega total à dança apocalíptica
Coso casulos de fios de seda protectores para as borboletas
Preparo vasos de terra fértil para os amores-perfeitos
E entretanto
A luz que entrou pela minha boca adentro evocando o eco do impossível
O eco de tempestades cardíacas e respirações ciclónicas,
Altera a sua rota,
Dança transcendental,
Viaja como uma estrela cadente
destinada a concretizar desejos carregados de fé.
Vagarosamente as pálpebras dos olhos embevecidos
abrem-se como janelas até ao reluzir do sol da íris fulminante
-Não sou mais fotossensível.
E eu caio no abismo do espaço galáctico nulo,
com o corpo nu sujo de terra
a pele queimada pelos fogos estrelares
as pontas dos dedos mordidas pelas agulhas com que tecelei os casulos
e sem horizontes a desejar.
Num aquário-sarcófago que bóia eternamente no cosmos
Mumifico a minha palavra «amo-te».

