
«E tudo o vento levou…»
Não!
A poeira ficou.
As sobras do esboço que eu nunca tracei…
Num longínquo, para além do horizonte que admiro com a minha ampla visão, de olho bem desperto, um distante que alcanço apenas de olhos bem cerrados e mente vasta…
Contudo serena, mantive entreabertos os lábios gretados, para sentir a energia da brisa do vento.
E lá nesse remoto antes desconhecido, avistei… uma miragem, julgo!
A perfeição, uma quimera.
Era o fim da pintura... Lembro-me… de um campo espalhado e inacabável, imenso de girassóis. Ainda mais longe, conseguia ouvir o bravo e selvagem galopar dos cavalos livres.
Ele estava lá… ele o artista.
E eu perdia-me no calor do momento, estendida no campo amarelo gemado, os raios áureos batiam-me na cara, coravam de rosa minhas faces.
Ou seria ele?
O sol mais ansiado pelo meu fundo, quem tornava a pura essência tão especial.
Ele o artista.
Imundo de ardência, capaz de reluzir os meus cantos mais tímidos, cobertos e refundidos… tão íntimos que nem o meu próprio os conhecia.
Seria?
Não me sentia no meu mundo mais real, não sonhava, nem tão pouco pensava…
Uma atmosfera calorosa e húmida, delírio.
Estranho, diferente de tudo o que até ali fora sensação.
E o Sol de paleta na mão, levantou a boina e soprou:
-Paz?
Abri os olhos vagarosamente, na verdade, aquele instante de separar de pálpebras, aquele curto tremer de que nem nos apercebemos, pareceu-me imenso. Não só imenso! De uma lonjura infindável, que julgara inalcançável.
E pensei, durante aquela eternidade de paz, cada curto tremer, nasce, respira, sente, pensa… e a Lua no cume inatingível escuta o tambor da existência, que persiste dentro de cada um de nós.
E cada tremer, uma nota quebra, cai.
Pensei como era bom eternizar aquele meu instante de alucinação paradisíaca… como o mundo seria perfeito, numa onda de paz, se cambaleasse por toda aquela ardência que senti enquanto estendida no campo…
A melodia da vida tornar-se-ia tão ingénua e sedutora…
Mas acordei.
Da pintura nem tinta sobrou para eu salgar e borrar com minhas lágrimas.
Apenas o golpe vazio da tela em branco…Sentimentos voam com o vento, recordações trazem-nos de volta… a poeira é a minha recordação.
Não!
A poeira ficou.
As sobras do esboço que eu nunca tracei…
Num longínquo, para além do horizonte que admiro com a minha ampla visão, de olho bem desperto, um distante que alcanço apenas de olhos bem cerrados e mente vasta…
Contudo serena, mantive entreabertos os lábios gretados, para sentir a energia da brisa do vento.
E lá nesse remoto antes desconhecido, avistei… uma miragem, julgo!
A perfeição, uma quimera.
Era o fim da pintura... Lembro-me… de um campo espalhado e inacabável, imenso de girassóis. Ainda mais longe, conseguia ouvir o bravo e selvagem galopar dos cavalos livres.
Ele estava lá… ele o artista.
E eu perdia-me no calor do momento, estendida no campo amarelo gemado, os raios áureos batiam-me na cara, coravam de rosa minhas faces.
Ou seria ele?
O sol mais ansiado pelo meu fundo, quem tornava a pura essência tão especial.
Ele o artista.
Imundo de ardência, capaz de reluzir os meus cantos mais tímidos, cobertos e refundidos… tão íntimos que nem o meu próprio os conhecia.
Seria?
Não me sentia no meu mundo mais real, não sonhava, nem tão pouco pensava…
Uma atmosfera calorosa e húmida, delírio.
Estranho, diferente de tudo o que até ali fora sensação.
E o Sol de paleta na mão, levantou a boina e soprou:
-Paz?
Abri os olhos vagarosamente, na verdade, aquele instante de separar de pálpebras, aquele curto tremer de que nem nos apercebemos, pareceu-me imenso. Não só imenso! De uma lonjura infindável, que julgara inalcançável.
E pensei, durante aquela eternidade de paz, cada curto tremer, nasce, respira, sente, pensa… e a Lua no cume inatingível escuta o tambor da existência, que persiste dentro de cada um de nós.
E cada tremer, uma nota quebra, cai.
Pensei como era bom eternizar aquele meu instante de alucinação paradisíaca… como o mundo seria perfeito, numa onda de paz, se cambaleasse por toda aquela ardência que senti enquanto estendida no campo…
A melodia da vida tornar-se-ia tão ingénua e sedutora…
Mas acordei.
Da pintura nem tinta sobrou para eu salgar e borrar com minhas lágrimas.
Apenas o golpe vazio da tela em branco…Sentimentos voam com o vento, recordações trazem-nos de volta… a poeira é a minha recordação.
* Aquelas palavras antigas da nossa própria autoria, que só nos dão gozo ler mais tarde...
